Toolkit PSP · Módulo 5 · 5.4 Calamidade

Módulo 5 · Situações Sensíveis

Situações
de calamidade

Perante um acontecimento súbito, grave ou potencialmente traumático, é esperado que surjam reações intensas de stress. Os Primeiros Socorros Psicológicos visam reduzir sofrimento imediato, promover segurança e apoiar a recuperação inicial. No Benfica, pode ser um incidente grave no Estádio com público presente (uma queda, um mal súbito, uma evacuação), um acidente de trabalho ou uma notícia trágica que atinge toda a casa.

7 ecrãs
Duas pessoas conversam em apoio, de mãos dadas.

É importante lembrar

Pessoas normais podem ter reações intensas perante situações anormais.

Perante eventos potencialmente traumáticos, os mecanismos habituais de adaptação podem deixar de ser suficientes, originando uma crise psicológica temporária.

O que pode estar a acontecer?

Reações frequentes

As reações podem variar entre pessoas. Estas reações são frequentemente respostas normais ao stress intenso. A maioria das pessoas recupera gradualmente quando existe segurança, apoio, estabilidade e ligação social.

Emocionais

  • Choque emocional
  • Ansiedade ou pânico
  • Medo
  • Raiva
  • Culpa
  • Irritabilidade
  • Desespero
  • Embotamento emocional
  • Vulnerabilidade

Cognitivas

  • Confusão
  • Dificuldade de concentração
  • Alterações da memória
  • Pensamentos intrusivos
  • Preocupação excessiva
  • Dificuldade na tomada de decisão
  • Sensação de descrença ou negação

Físicas

  • Taquicardia
  • Hiperventilação
  • Hipertensão
  • Tremores
  • Náuseas
  • Fadiga
  • Insónia
  • Hiperalerta
  • Alterações do apetite

Comportamentais

  • Agitação
  • Respostas de luta, fuga ou congelamento
  • Isolamento
  • Desconfiança
  • Abandono de atividades
  • Dificuldades no trabalho
  • Comportamentos automáticos ou desorganizados

O que fazer?

O que fazer?

A intervenção deve ser flexível, prática e focada na estabilização inicial.

  1. Garantir segurança física: Retirar a pessoa de situações de perigo e assegurar necessidades básicas, como água, alimentação, agasalho, descanso, contacto com familiares.
  2. Reduzir estímulos perturbadores: Limitar exposição a imagens violentas, notícias repetidas, sons ou cheiros associados ao evento.
  3. Estabelecer uma presença calma e empática: Apresentar-se de forma tranquila, pedir permissão para ajudar, escutar sem pressionar, evitar perguntas intrusivas.
  4. Promover estabilização e grounding: Se a pessoa estiver muito ativada ou desorientada, incentivar respiração lenta, ajudar a focar-se no ambiente, utilizar técnicas simples de grounding. Exemplo: “Consegues identificar 5 coisas que estás a ver agora?”
  5. Oferecer ajuda prática: Apoiar necessidades imediatas, como contactar familiares, organizar informação, resolver problemas urgentes.
  6. Reforçar ligação à rede de apoio: Facilitar contacto com familiares, amigos, colegas, recursos comunitários.
  7. Normalizar reações de stress: Explicar que muitas reações intensas são esperadas após acontecimentos graves.
  8. Promover sensação de controlo: Envolver a pessoa em pequenas decisões e incentivar participação ativa na recuperação.

O que evitar?

O que evitar?

  1. Patologizar reações iniciais: Evitar rotular respostas agudas de stress como “doença” ou “fraqueza”.
  2. Pressionar para falar sobre o trauma: Não insistir em detalhes do acontecimento nem forçar partilhas emocionais.
  3. Utilizar clichés invalidantes: Evitar frases como “Podia ser pior”, “Tens de ser forte”, “Pelo menos sobreviveste”.
  4. Dar falsas garantias: Não prometer segurança absoluta sem informação concreta.
  5. Exposição excessiva ao acontecimento: Evitar contacto repetido com imagens, vídeos ou narrativas traumáticas.
  6. Em crianças: Não criticar regressões comportamentais. Evitar explicações demasiado assustadoras ou detalhadas.

Quando encaminhar?

Quando encaminhar?

O encaminhamento para apoio especializado deve ser considerado quando:

  • Existe risco para si próprio ou para terceiros
  • Há sinais de choque médico ou incapacidade de resposta
  • A pessoa permanece gravemente desregulada apesar das estratégias de estabilização
  • Existe agravamento de problemas físicos ou psicológicos prévios
  • As dificuldades persistem durante várias semanas com impacto significativo no funcionamento diário
  • Surge aumento do consumo de álcool ou drogas
  • Existem sintomas intensos de ansiedade, dissociação ou sofrimento persistente

Onde recorrer

Os contactos essenciais estão sempre no botão Apoio.

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