Módulo 5 · Situações Sensíveis
Ataques de pânico
Um ataque de pânico é um episódio súbito de medo ou desconforto intenso que atinge o pico em poucos minutos. Embora os sintomas possam ser muito assustadores, o ataque de pânico não é perigoso e corresponde a uma ativação intensa do sistema de alerta do organismo.

O que pode estar a acontecer?
O corpo entra em “luta ou fuga”
Durante um ataque de pânico, o corpo entra num estado de “luta ou fuga”, ativando intensamente o sistema nervoso simpático.
Sintomas físicos
- Palpitações ou batimento cardíaco acelerado
- Sensação de falta de ar ou asfixia
- Tonturas ou sensação de desmaio
- Tremores
- Sudorese
- Náuseas
- Rigidez muscular
- Formigueiros
Sintomas cognitivos e emocionais
- Medo intenso de perder o controlo
- Medo de enlouquecer ou morrer
- Sensação de estranheza ou irrealidade (desrealização)
- Sensação de estar “fora do corpo” (despersonalização)
O que pode estar a acontecer?
Ciclo do pânico e ansiedade antecipatória
Ciclo do pânico
- 1Sensações físicas normais de ansiedade
- 2São interpretadas como sinais de perigo grave“Vou morrer”, “Estou a ter um ataque cardíaco”, “Vou enlouquecer”
- 3A sensação de ameaça aumentaO corpo fica ainda mais ativado e os sintomas físicos intensificam-se.
E o ciclo recomeça: cria-se um ciclo de pânico.
Ansiedade antecipatória
Após um ataque de pânico, pode surgir medo persistente de voltar a sentir os sintomas.
“E se acontece outra vez?”, “E se desmaio à frente de todos?”
Isto pode aumentar hipervigilância corporal e comportamentos de evitamento.
O que fazer?
O que fazer?
A prioridade é ajudar a pessoa a sentir segurança e a regular gradualmente o sistema nervoso.
- 1Normalizar e validar: Explicar que os sintomas são uma resposta intensa de ansiedade e que irão diminuir com o tempo.
- 2Ajudar na respiração: Utilizar respiração lenta e diafragmática para reduzir hiperventilação e tensão física.
- 3Promover grounding: Ajudar a pessoa a focar-se no momento presente através dos sentidos: identificar objetos à volta, ouvir sons, sentir os pés no chão.
- 4Incentivar diálogo interno compassivo: Estimular frases como “isto é ansiedade”, “já passei por isto antes”, “os sintomas vão passar”.
- 5Reduzir a sensação de perigo: Falar de forma calma, simples e previsível.
- 6Permanecer no local, se possível: Evitar fuga imediata da situação pode ajudar o cérebro a reaprender que o contexto é seguro.
O que evitar?
O que evitar?

- Minimizar ou ridicularizar: Evitar frases como “Calma, isso não é nada”, “Estás a exagerar”.
- Alimentar interpretações catastróficas: Não reforçar a ideia de que a pessoa está em perigo iminente sem avaliação médica.
- Pressionar para “controlar-se”: Tentar forçar calma rapidamente pode aumentar ansiedade e vergonha.
- Incentivar evitamento excessivo: Sair imediatamente de todas as situações associadas ao pânico pode reforçar medo futuro.
- Lutar contra a ansiedade: Tentar eliminar totalmente os sintomas ou “não pensar nisso” tende a aumentar foco e sofrimento.
Quando encaminhar?
Quando encaminhar?
O encaminhamento para avaliação médica e/ou psicológica deve ser considerado quando:
- !É o primeiro episódio de pânico
- !Existem dúvidas sobre causa médica dos sintomas
- !Os ataques se tornam frequentes ou persistentes
- !Existe impacto significativo no trabalho ou vida diária
- !A pessoa começa a evitar reuniões, apresentações ou espaços por medo de novo ataque
- !Surge ansiedade constante antecipatória
- !Há recurso a álcool, sedativos ou outras substâncias para lidar com os sintomas
- !As estratégias de regulação deixam de ser suficientes
Onde recorrer
Os contactos essenciais estão sempre no botão Apoio.
CC Legendas não disponíveis nesta versão de demonstração.
Ver em ação
5.º Role Play
Algumas situações exigem uma resposta mais imediata. Um ataque de pânico não dá aviso – acontece de forma súbita e pode ser muito assustador para quem o vive e para quem está ao lado. O papel de quem apoia não é diagnosticar nem resolver, mas criar segurança e ajudar a regular.
ContextoMuseu Benfica – Cosme Damião, em dia de grande afluência. Uma visitante apresenta sinais de ataque de pânico junto a uma vitrine. Uma guia do museu identifica os sinais e aproxima-se.
NotaEste role-play passa-se com uma visitante, mas as mesmas estratégias aplicam-se com um colega em situação semelhante.