Módulo 5 · Situações Sensíveis
Luto: estar presente
na perda
O luto é uma resposta humana normal à perda de uma pessoa significativa. Implica adaptar-se a uma nova realidade e aprender a viver num mundo onde a pessoa falecida já não está presente. No Benfica, a perda pode ser a de um colega, de um familiar ou de alguém muito querido da comunidade benfiquista; quando o luto é coletivo, vive-se também no local de trabalho.

O que pode estar a acontecer?
Cada processo de luto é único
É influenciado por fatores como a relação com a pessoa falecida, as circunstâncias da morte, a história de vida e a rede de apoio disponível. Pode manifestar-se através de diferentes reações, especialmente nas fases iniciais.
Emocionais
- Tristeza profunda
- Raiva
- Culpa
- Ansiedade
- Sensação de desamparo ou vazio
Físicas
- Aperto no peito ou garganta
- Falta de ar
- Fraqueza muscular
- Hipersensibilidade ao ruído
- Sensação de vazio no estômago
Cognitivas
- Confusão mental
- Dificuldade de concentração
- Pensamentos persistentes sobre a pessoa falecida
- Sensação de presença ou experiências transitórias auditivas/visuais relacionadas com o falecido
Comportamentais
- Alterações do sono e apetite
- Isolamento social
- Choro frequente
- Agitação
- Procura de objetos ou memórias associadas à pessoa
O que pode estar a acontecer?
O processo pode envolver
- 1Aceitar a realidade da perda
- 2Processar a dor emocional
- 3Adaptar-se a uma nova rotina
- 4Preservar um vínculo simbólico com quem partiu, integrando a sua presença na memória e nos afetos, enquanto se continua a viver
O que fazer?
O que fazer?
A intervenção deve focar-se na escuta ativa, validação emocional e apoio à adaptação gradual à perda.

- 1Facilitar a aceitação da perda: Permitir que a pessoa fale sobre a morte, o funeral ou as circunstâncias da perda, ajudando a integrar a realidade do acontecimento.
- 2Ajudar na identificação emocional: Incentivar a expressão de emoções difíceis, como culpa, raiva ou tristeza, sem julgamento.
- 3Apoiar na reorganização da vida diária: Ajudar na adaptação a novas responsabilidades, decisões ou rotinas.
- 4Utilizar elementos simbólicos: Fotografias, cartas, rituais ou memórias podem facilitar expressão emocional e conexão significativa.
- 5Validar o legado da pessoa falecida: Promover formas de homenagear a história e significado da pessoa perdida.
O que evitar?
O que evitar?
- Usar clichés ou minimizar a dor: Evitar frases como “Tens de ser forte”, “O tempo cura tudo”, “Eu sei exatamente o que sentes”.
- Esperar etapas rígidas: O luto não segue uma sequência linear ou igual para todas as pessoas.
- Incentivar decisões impulsivas: Evitar grandes mudanças de vida imediatamente após a perda.
- Patologizar reações iniciais: Choro intenso, sonhos frequentes ou sensação de presença do falecido podem fazer parte do processo normal de luto.
- Assumir que todos precisam de terapia: Muitas pessoas adaptam-se com apoio informal e suporte relacional.
Quando encaminhar?
Quando encaminhar?
O encaminhamento para apoio psicológico deve ser considerado quando:
- !O sofrimento permanece intenso e persistente durante um longo período
- !Existe incapacidade significativa de retomar funcionamento pessoal, social ou profissional
- !Surgem sintomas graves de ansiedade, depressão ou abuso de substâncias
- !A pessoa permanece “presa” à perda sem conseguir integrar a ausência
- !Existem sintomas físicos persistentes sem explicação médica
- !Há comportamentos autolesivos, ideação suicida ou comportamentos de risco
Onde recorrer
Os contactos essenciais estão sempre no botão Apoio.