Toolkit PSP · Módulo 5 · 5.2 Luto

Módulo 5 · Situações Sensíveis

Luto: estar presente
na perda

O luto é uma resposta humana normal à perda de uma pessoa significativa. Implica adaptar-se a uma nova realidade e aprender a viver num mundo onde a pessoa falecida já não está presente. No Benfica, a perda pode ser a de um colega, de um familiar ou de alguém muito querido da comunidade benfiquista; quando o luto é coletivo, vive-se também no local de trabalho.

7 ecrãs
Uma colega em lágrimas, apoiada por dois colegas.

O que pode estar a acontecer?

Cada processo de luto é único

É influenciado por fatores como a relação com a pessoa falecida, as circunstâncias da morte, a história de vida e a rede de apoio disponível. Pode manifestar-se através de diferentes reações, especialmente nas fases iniciais.

Emocionais

  • Tristeza profunda
  • Raiva
  • Culpa
  • Ansiedade
  • Sensação de desamparo ou vazio

Físicas

  • Aperto no peito ou garganta
  • Falta de ar
  • Fraqueza muscular
  • Hipersensibilidade ao ruído
  • Sensação de vazio no estômago

Cognitivas

  • Confusão mental
  • Dificuldade de concentração
  • Pensamentos persistentes sobre a pessoa falecida
  • Sensação de presença ou experiências transitórias auditivas/visuais relacionadas com o falecido

Comportamentais

  • Alterações do sono e apetite
  • Isolamento social
  • Choro frequente
  • Agitação
  • Procura de objetos ou memórias associadas à pessoa

O que pode estar a acontecer?

O processo pode envolver

  1. Aceitar a realidade da perda
  2. Processar a dor emocional
  3. Adaptar-se a uma nova rotina
  4. Preservar um vínculo simbólico com quem partiu, integrando a sua presença na memória e nos afetos, enquanto se continua a viver

O que fazer?

O que fazer?

A intervenção deve focar-se na escuta ativa, validação emocional e apoio à adaptação gradual à perda.

Duas pessoas dão as mãos, em apoio.
  1. Facilitar a aceitação da perda: Permitir que a pessoa fale sobre a morte, o funeral ou as circunstâncias da perda, ajudando a integrar a realidade do acontecimento.
  2. Ajudar na identificação emocional: Incentivar a expressão de emoções difíceis, como culpa, raiva ou tristeza, sem julgamento.
  3. Apoiar na reorganização da vida diária: Ajudar na adaptação a novas responsabilidades, decisões ou rotinas.
  4. Utilizar elementos simbólicos: Fotografias, cartas, rituais ou memórias podem facilitar expressão emocional e conexão significativa.
  5. Validar o legado da pessoa falecida: Promover formas de homenagear a história e significado da pessoa perdida.

O que evitar?

O que evitar?

  1. Usar clichés ou minimizar a dor: Evitar frases como “Tens de ser forte”, “O tempo cura tudo”, “Eu sei exatamente o que sentes”.
  2. Esperar etapas rígidas: O luto não segue uma sequência linear ou igual para todas as pessoas.
  3. Incentivar decisões impulsivas: Evitar grandes mudanças de vida imediatamente após a perda.
  4. Patologizar reações iniciais: Choro intenso, sonhos frequentes ou sensação de presença do falecido podem fazer parte do processo normal de luto.
  5. Assumir que todos precisam de terapia: Muitas pessoas adaptam-se com apoio informal e suporte relacional.

Quando encaminhar?

Quando encaminhar?

O encaminhamento para apoio psicológico deve ser considerado quando:

  • O sofrimento permanece intenso e persistente durante um longo período
  • Existe incapacidade significativa de retomar funcionamento pessoal, social ou profissional
  • Surgem sintomas graves de ansiedade, depressão ou abuso de substâncias
  • A pessoa permanece “presa” à perda sem conseguir integrar a ausência
  • Existem sintomas físicos persistentes sem explicação médica
  • Há comportamentos autolesivos, ideação suicida ou comportamentos de risco

Onde recorrer

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